"Se alguém acha que sou incapaz de fazer algo questionável e não me indicar por isso, é bom para mim” - Daniel Vilela (MDB), deputado federal (Foto: Weimer Carvalho / O Popular)

Marcos Nunes Carreiro

A possibilidade de uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer (MDB) estaria preocupando o Palácio do Planalto quanto à indicação do deputado goiano Daniel Vilela (MDB) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

A informação, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, se baseia no fato de que Daniel é pré-candidato ao governo de Goiás e poderia, ao invés de defender o presidente, “jogar para o eleitorado”, rendendo-se a um pedido popular pelo possível afastamento de Temer.

A CCJ é a comissão da Câmara que primeiro analisa pedidos de investigação do presidente e foi essencial para a rejeição das duas primeiras denúncias feitas pela Procuradoria-geral da República (PGR) contra Temer. Saiu da comissão o relatório favorável ao emedebista, que acabou acatado em plenário.

Ao POPULAR, porém, Daniel diz achar difícil que haja uma preocupação por parte do Planalto nesse sentido agora. “O presidente não faz defesa, nem vota. Só faz a condução (do processo). O que o presidente pode fazer é indicar o relator”, afirma.

O goiano lembra que, da outra vez, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (MDB-MG), escolheu como relator do processo o deputado emedebista Sergio Zveiter (RJ), que apesar de ser do MDB apresentou um parecer contrário a Temer, pedindo seu afastamento do cargo.

À época, o Planalto conseguiu, no entanto, maioria na comissão para derrubar o relatório de Zveiter e aprovar outro texto, desta vez favorável ao presidente, feito pelo deputado tucano Bonifácio de Andrada (MG).

Isso mostra, na visão de Daniel, que é o número de votos na comissão que conta e não a influência do presidente. “Ninguém conversou comigo sobre isso e não acredito que haja essa avaliação (por parte do Planalto), porque presidente de CCJ não empurra nem segura denúncia. Quem decide isso é o plenário da Câmara”, afirma o deputado.

Entretanto, Daniel avalia sua posição como “muito confortável.” “Se alguém acha que sou incapaz de fazer algo questionável e não me indicar por isso, é bom para mim”, relata.

INDICAÇÃO

A indicação de Daniel à CCJ, comissão mais importante da Câmara, era para ter ocorrido no ano passado, mas articulações políticas acabaram levando Rodrigo Pacheco para a função. O compromisso ficou para este ano, mas o goiano quase foi indicado para presidir a Comissão Mista de Orçamento.

Contudo, o MDB preferiu garantir a relatoria da comissão para o senador Romero Jucá (PE) e, como presidente e relator não podem ser de um mesmo partido, foi acertada a indicação de Daniel à CCJ.

A articulação para levar Daniel à CCJ foi feita com o PP e deve levar Ricardo Barros (PP-PR)- atual ministro da Saúde, mas que deixará o cargo-, para a presidência da Comissão de Orçamento.

A eleição para escolha da mesa diretora não apenas da CCJ, mas de todas as comissões permanentes da Câmara deveria ter ocorrido em 14 de março, mas as articulações políticas, inclusive com a abertura da janela partidária em 7 de março, acabaram adiando as votações. A expectativa é de que a situação seja resolvida ainda nesta semana, antes do término da janela.

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