Fabiana Pulcineli

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Jardel Sebba (Foto: Sebastião Nogueira)

Na despedida do cargo, o ex-prefeito de Catalão (Região Sudeste do Estado) Jardel Sebba (PSDB) autorizou o pagamento do próprio salário - de R$ 25,3 mil brutos - e não quitou a folha de pagamento do funcionalismo, como ocorre tradicionalmente no último dia do mês.

A informação foi divulgada ontem, em nota oficial, pelo novo prefeito Adib Elias (PMDB), que afirma não ter previsão para o pagamento do funcionalismo por falta de recursos. A nota inclui em anexo o cheque nominal a Jardel emitido pela prefeitura, com data de 22 de dezembro e valor de R$ 18.833,08, referente ao salário líquido.

“Estou sem nada de dinheiro em caixa e não sei como nem quando vamos conseguir”, afirmou Adib à reportagem. São 1.545 servidores efetivos que estão sem salário. A folha total do funcionalismo, com encargos, custa R$ 6,7 milhões, segundo ele.

Em viagem de descanso, na praia, Jardel admitiu ao POPULAR que determinou apenas o pagamento do salário dele e de outras duas pessoas - o vice-prefeito Rodrigão e o procurador jurídico Geordano Paraguaçu. Os demais comissionados e secretários, segundo ele, foram exonerados em novembro para corte de gastos, receberam os acertos e não tinham mais direito a salários de dezembro.

Jardel garante, no entanto, que deixou dinheiro em caixa para pagar “quase toda a folha dos efetivos”. “Pelo menos 70% estou certo de que deixei. Foram recursos do Fundeb, para o pagamento dos servidores da Educação, e o dinheiro da repatriação, R$ 2 milhões, que entraram à meia-noite do dia 30 para 31 e eu não pude movimentar”, alega.

Questionado se estava com receio de não receber o salário, já que o sucessor é ferrenho adversário político e disputou com ele pela terceira vez a eleição, Jardel respondeu: “Se ele está sustando cheques que emiti a fornecedores, com saldo em conta, imagina os salários. Eu só quis resolver a situação (dos cargos de chefia e comissionados) e não depender da boa vontade do novo prefeito. Ele não ia acertar com os comissionados nunca”.

Ao falar dos cheques, Jardel refere-se à decisão de Adib de bloquear pagamentos autorizados no último dia útil do ano a fornecedores. Na nota, o prefeito afirmou que foram pagos cerca de R$ 2 milhões “a grandes empresários muito próximos do ex-prefeito”. Adib afirma que haverá “averiguações internas por entender que a prioridade do ex-prefeito deveria ser o pagamento dos funcionários públicos”.

O ex-prefeito afirma que não houve favorecimento nem “sacanagem” com efetivos. “À medida que o dinheiro entra, a gente vai pagando. Só não paguei os servidores porque não podia movimentar o dinheiro da repatriação. Mas não tenho obrigação de pagar antecipado. Havia a expectativa porque sempre fizemos, mas eu não podia mexer na conta”, justifica.

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