Editorial

Ontem, menos de 24 horas após o candidato de seu partido ter saído vitorioso nas urnas, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), editou decreto estadual endurecendo a quarentena. As medidas ainda permitem o fluir da economia sem maiores embaraços, limitando tão somente o horário de abertura das lojas e o fluxo de clientes em seu interior. Contudo, a hipótese de que tal medida tenha sido postergada para evitar prejuízos eleitorais põe em xeque a autoridade dos políticos na condução do enfrentamento da pandemia.

Por essa razão, ainda que os desafios de longo prazo se acumulem na mesa dos prefeitos eleitos a partir de janeiro, é imperioso repactuar o combate à pandemia com urgência, amparado pela ciência e pelo acompanhamento da evolução da doença.

Nos últimos dias, mesmo com a rede hospitalar pressurizada, o tema ficou em segundo plano em razão das eleições - numa omissão cujo resultado, em vidas, pode vir a ser conhecida em breve.

Não se trata, obviamente, de se advogar medidas extremas de antemão. Ao gestor público, porém, cabe decidir com base na realidade, sem tentar moldá-la à sua agenda e, mais grave ainda, fingindo que ela não existe.

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