No decorado, o arquiteto Leo Romano usou dois sofás do mesmo tamanho e com modelos bastante próximos, o que resultou na sensação de uma peça única (Foto: Divulgação Casa Cor)

Michelle Rabelo

Se tem uma coisa que o goianiense raiz adora fazer é receber. Talvez por isso quem nasce aqui carregue por onde for a fama de acolhedor. Amigos mais chegados, colegas de trabalho, parentes que moram longe – todo mundo é bem-vindo. A característica aproximou a capital de uma tendência que já vinha sendo vista em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. É que, além de ampliar a metragem dos espaços, a integração dos ambientes acaba aproximando ainda mais visitas e anfitriões. Agora, a moda aparece também no sofá, um mobiliário que, não por acaso, tem o título de coração da casa.

No modelo tipo ilha, mais novo queridinho de arquitetos e designers, a peça é capaz de acomodar um número maior de pessoas. Versátil, ele possui um encosto de dupla face e o que antes ficava apoiado na parede ou servia para delimitar espaços, agora divide o móvel, que tem assentos dos dois lados. Com isso, as visitas compartilham o mesmo sofá, apesar de estarem em ambientes diferentes. Na prática, enquanto alguém aproveita a sala de estar para jogar conversa fora, outro convidado assiste a um filme na sala de TV, aproveita um drinque na sala de jantar ou aprecia a paisagem na varanda.

Outra possibilidade é posicionar o sofá ilha no centro do ambiente integrado, o que dá ao móvel uma pegada multifuncional, eliminando, de fato, as barreiras e deixando o espaço ainda mais aconchegante. Para a arquiteta Alyne Dourado, a versatilidade é a maior qualidade do modelo. “Quando centralizada, a peça passa a fazer parte do desenho de vários cômodos ao mesmo tempo, aproximando ainda mais as pessoas e atendendo a uma demanda crescente do goiano: receber com a hospitalidade típica de quem nasceu aqui. Não por acaso, esse tipo de sofá é um sucesso.”

Outra novidade é que em alguns casos o encosto do sofá ilha é móvel, o que possibilita, por exemplo, que a mesma peça seja generosamente espaçosa para os convidados da sala de estar e milimetricamente funcional para quem está sentado à mesa, na sala de jantar. “O legal é que, para multiplicar os assentos, não é preciso investir em mais poltronas ou cadeiras”, explica Alyne. Indo na mesma direção, rumo à praticidade e economia, a arquiteta conta que os goianos estão preferindo tonalidades mais escuras, como azul-marinho, castanho-fechado e grafite – o que facilita a limpeza e a manutenção.

Outra tendência que vem acompanhando o sofá ilha diz respeito às linhas mais retas, o que também é visto nos mobiliários em geral. “Hoje, tanto os encostos quanto os assentos estão mais baixos, o que, de maneira alguma, deixa a peça menos confortável. No mais, por conta do clima que exige uma decoração mais clean e fresca, os traços limpos e os tons neutros são muito bem aceitos pelos goianos”, conta a arquiteta Cassiana Neri. A escolha de Lisandro Pilon, responsável pela Casa da Árvore Renault, na Casa Cor São Paulo 2018, ilustra bem esse movimento. O sofá ilha baixo e de cor clara tem uma face voltada para a televisão e outra para a paisagem natural com visão para a piscina e para a área gourmet.

Diferencial

Os defensores do modelo apontam a liberdade criativa como grande diferencial do sofá ilha, mas profissionais da decoração alertam para a necessidade de que a peça estabeleça mais de uma conexão de layout, sempre respeitando as medidas mínimas de circulação. “É melhor que ele fique centralizado e estabeleça conexões de ambos os lados, mais ou menos com a mesma proporção”, opina o arquiteto Leo Romano, responsável por um decorado cujo projeto celebra a integração dos espaços. “É preciso simular uma divisão imaginária de ambientes”, ensina.

Segundo Leo, optar pelo modelo ilha é como eliminar paredes e determinar os diferentes espaços por meio do próprio layout. O profissional lembra ainda que trata-se de uma peça maior do que os sofás tradicionais – com uma profundidade de, no mínimo, 130 centímetros. Por isso, é preciso consultar um especialista antes de investir na novidade. Outra opção é brincar com a ideia multifuncional. “No caso do meu decorado, temos um sofá que caracteriza a sala de TV, e outro a sala de estar. Como eles são do mesmo tamanho e com modelo bastante próximo, temos a sensação de uma peça única”, conta.

Monta e desmonta

No universo dos modelos ilha, uma das possibilidades é procurar por sofás modulares, tipo de móvel que possibilita que o morador “brinque” com seus assentos e encostos, montando a peça no formato que preferir. Segundo a arquiteta Mariana Mendonça, uma das opções, por exemplo, seria voltar um lado do mobiliário para o living e outra para a sala de jantar, complementando uma mesa com cadeiras para as refeições.

“O bacana é que com esse modelo podemos setorizar a área social sem interferir na fluidez de uma planta baixa aberta e integrada, além de dar a sensação de amplitude ao espaço por ter pouca ou quase nenhuma barreira visual”, pontua. A opinião é compartilhada pelo arquiteto Max Mello que, no Studio da Árvore (Casa Cor Espírito Santo 2019), optou por um sofá ilha de encostos removíveis.

Cabe tudo e todos

Não se preocupe se a sua sala, mesmo integrada, não possui medidas de causar inveja em qualquer um. Segundo a arquiteta Mariana Mendonça, é possível usar o sofá ilha em ambientes menos espaçosos, já que a ideia é “eliminar” paredes. “Entretanto, é preciso lembrar que se trata de um sofá maior do que os comuns, em média quase 30 centímetros a mais de profundidade. Por isso, a assessoria de um arquiteto ou designer de interiores é de grande valia nesses momentos, pois a escolha equivocada de um mobiliário pode prejudicar o resultado final da decoração”, alerta.

Prova dessa adaptação é a Casa Grão, projetada pela Très Arquitetura para a Casa Cor São Paulo 2019. No ambiente de 100 metros quadrados, living, sala de jantar, cozinha e varanda se integram com um sofá ilha de módulos soltos.

Despojado e elegante

Se engana quem pensa que, por serem peças modulares, encostos móveis e assentos com medidas flexíveis, o sofá ilha é coisa de gente moderninha. Recentemente, a arquiteta Julianna Borges projetou uma casa de campo para um casal extremamente clássico e não teve medo de sugerir o modelo como um curinga na sala de jogos.

“Ele ficou centralizado, atendendo tanto o home quanto a sala de diversão. Para isso, escolhemos uma peça mais requintada, feita numa tonalidade neutra e bastante elegante.” Foi assim também com o Lounge Sensações, pensado pelo arquiteto Gustavo Paschoalim para a Casa Cor São Paulo 2019. No ambiente, a cozinha gourmet é integrada ao living e os dois sofás, que juntos pareciam um só, trazem o requinte do veludo.

Conforto multiplicado

Independente do modelo, arquitetos e designers são unânimes quando o assunto é a escolha do sofá: a peça precisa ser confortável. “Em todo caso, vale fazer um paralelo. Quanto mais integrada as casas forem ficando, maior será o interesse das pessoas por móveis que tenham multifunções. No caso dos modelos ilha, o convidado poderá, por exemplo, sentar na sala de estar, de TV ou de jantar usando o mesmo assento. Isso, porém, faz com que o sofá precise ser ainda mais confortável”, destaca a arquiteta Julianna Borges.

Nesse quesito a escolha da arquiteta Tatiana Campos Melo para a Casa Cor Bahia 2019 foi certeira. Nome por trás do ambiente La Vita È Bella, ela optou por um sofá solto no meio da sala, com assentos exageradamente confortáveis dos dois lados.

Para a Casa Cor Espíriro Santo 2019, o arquiteto Max Mello optou por um sofá ilha de encostos baixos e removíveis, na forma de pequenos triângulos (Foto: Divulgação Casa Cor)
Para a Casa Cor Bahia 2019, a arquiteta Tatiana Campos Melo optou por um sofá solto no meio da sala, com assentos exageradamente confortáveis dos dois lados (Foto: Marcelo Negromonte)
Provando que sofás-ilha também podem ser usados em ambientes menores, a Très Arquitetura projetou a Casa Grão, unindo living, sala de jantar, cozinha e varanda (Foto: Divulgação CASA COR)
Para o Lounge Sensações, ambiente da Casa Cor São Paulo 2019, o arquiteto Gustavo Paschoalim usou dois sofás muito parecidos que integraram cozinha gourmet e living (Foto: Felipe Araújo)
A escolha de Lisandro Pilon para a Casa Cor São Paulo 2018 foi um sofá-ilha baixo e de cor clara com uma face voltada para a televisão e outra para a paisagem natural (Foto: Ricardo Bassetti)
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