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(Foto: Divulgação/UniAraguaia)
Professor Luciano Vieira Lima (Foto: Divulgação/UniAraguaia)

As mudanças causadas pela Covid-19 revelam uma realidade difícil diante do ‘novo normal’ em várias áreas, dentre elas, a Educação. Antes da pandemia, as pessoas com deficiência já necessitavam de um acompanhamento especial para realizar seus estudos; após os impactos da Covid-19 em todo o mundo, e, principalmente, no Brasil, esse acompanhamento se tornou desafiador por parte dos educadores.

Com o objetivo de propor caminhos e alternativas que possam contribuir na superação desses desafios, o professor doutor Luciano Vieira Lima, coordenador do Laboratório de Inteligência Natural e Artificial (Lina) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), desenvolve estudos em ambientes virtuais de aprendizagem, cuja prioridade é conduzir aluno e professor no processo ensino-aprendizagem dentro dessa realidade.

Nesta entrevista especial, o coordenador do Lina da UFU fala sobre tecnologia, educação e inclusão, traçando um panorama sobre o ensino remoto no Brasil durante a pandemia e seus efeitos não apenas sobre a comunidade escolar e acadêmica, mas sobre a sociedade. Confira:

Explique, por favor, o trabalho do Laboratório, na UFU, sobre inteligência artificial.

No Lina, em conjunto, com o apoio da pós em Tecnologia do Programa de mestrado da Comunicação e Jornalismo, avançou muito, nesse ano e meio de pandemia, a questão da tecnologia assistiva. Foi concluído um novo sistema para leitura e escrita musical com matriz de 6 pontos em relevo, como também em Braille, com a diferença da simplicidade do código que permite a um leigo, tutor, professor e ao próprio deficiente, aprender a teoria, leitura e escrita musical em poucas semanas.

Existem pesquisas buscando melhorar as condições de ensino remoto e ensino híbrido no Brasil?

Sim. Pesquisas com interação entre os participantes do ensino, recursos multimídia interrelacionados, plataformas de ensino mais aderentes às necessidades de todos os usuários, e, como há demanda, é um mercado em crescimento, onde a tendência é ficarmos por um bom tempo nessa modalidade. Não mais só presencial e não mais só virtualmente. A aprendizagem tácita, denominada prática, por alguns, depende dos sentidos humanos para que se possa transmitir conhecimento; portanto, o sistema híbrido é a tendência emergente que mais atende, atualmente, tais demandas.

A pandemia aproximou a Educação brasileira da tecnologia? Quais são as principais barreiras que ainda existem?

O uso da tecnologia existente evoluiu cinco anos em seis meses. Todas as instituições tiveram que se adaptar à tecnologia para ter acesso ao trabalho, informação e contato síncrono com os alunos. Barreiras: como a pandemia não era esperada, não tem atendido plenamente a suficiente interação com alunos, principalmente quando se trata de turmas grandes. Infelizmente, muitos alunos, de grandes turmas, por alegarem invasão de privacidade, não entram com o vídeo ligado.  Uma parte por não possuir uma câmera em desktop, que, com a pandemia e os oportunistas, encareceu de 300% a 500%. Não só as câmeras, mas todo componente do setor de informática. Essa barreira de preço, bem como de importação de produtos, foi e ainda é fator de grande preocupação e impedimento de se poder oferecer um ensino melhor.

O que é preciso para melhorar o acesso à educação nesse contexto de ensino remoto?

Infelizmente, paciência. Toda verba disponível, mesmo que para pesquisas já aprovadas e em curso, foram objetos de atraso e corte de investimento. Acesso ao ensino e à educação, hoje, é sinônimo de investimento não só científico, mas financeiro. O Brasil, o qual foi muito atingido financeiramente, ainda vai passar por momentos críticos nos problemas emergentes.

Como foi a contribuição da tecnologia assistiva para o ensino remoto durante a pandemia, principalmente na educação pública?

O período não permitiu que as soluções emergentes tecnológicas fossem focadas no problema da educação e do ensino. Mesmo assim, vários pesquisadores e cientistas iniciaram e finalizaram processos para que viessem e para que venham a atender melhor as pessoas que necessitam de acessibilidade não só física, mas social, financeira e tecnológica. Espera-se muito, findando o período de investimentos e reinvenção das empresas, com os prejuízos da pandemia, que se possa agregar conhecimentos e domínio da tecnologia no ensino, algo que era esperado apenas para daqui, pelo menos, uns 5 anos.

Em um cenário pós-pandêmico, acredita que as relações com a tecnologia e a educação mudaram? Ainda há muito para avançarmos?

Esse ponto é positivo. A tecnologia de acessibilidade, tanto física quanto as demais citadas, suscitou a necessidade de se repensar o ensino e focar na tecnologia, que a nova geração, efetivamente digital, já vem utilizando e que os professores mais antigos não usavam. Agora, falando a mesma linguagem, percebo uma aproximação entre gerações e entre alunos, instituições e professores. Outro fator positivo é que, com os sistemas de análises de dados, pode-se, a qualquer momento, saber exatamente o que está ocorrendo em um determinado setor, e, até mesmo, se prever o problema antes do mesmo ocorrer.  Muita coisa boa vem por aí. Aguarde.

Letícia Renata Leite e Mateus Marques são estudantes de Jornalismo da UniAraguaia, sob a orientação da professora Patrícia Drummond

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