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(Foto: Divulgação/UniAraguaia)
Karine do Prado

Antes de começar o presente texto preciso fazer uma confissão: o jornalismo sempre foi uma área muito instigante para mim que sou publicitária, talvez pelo seu forte apelo à opinião pública, talvez pela sua ligação direta à cidadania ou mesmo pela visibilidade nos horários nobres televisivos.

Atualmente, tenho o prazer de ser professora para o curso de Jornalismo na UniAraguaia. Uma das disciplinas mais instigantes e interessantes que lecionei foi Ética da Comunicação, onde conceitos dos chamados efeitos a longo prazo – newsmaking e agenda setting) são preciosíssimos.

Além de ver isso em Ética, os discentes também aprendem durante todo o curso, com disciplinas como Teorias da Comunicação e Teorias do Jornalismo, a como fazer notícia. As teorias são fundamentais para prática jornalística e norteiam todo o trabalho de campo. São esses fundamentos que dão o tom crítico e reflexivo ao qual temos que de ter (e pensar) em relação ao fazer notícias.

Toda a situação contemporânea que vivemos – a hipertelia de informação, nem sempre havendo a comunicação; a infodemia, que é o excesso de informação sobre o mesmo assunto, no caso atual, a covid-19; juntamente com as fakenews – evidencia o quanto é urgente, necessário e essencial a presença e a boa formação de jornalistas.

Como separar o que é verdade do que é mentira? Quem irá fazer essa verificabilidade? Quem irá fazer a curadoria daquilo que é mais importante para o dia a dia da população? Quem irá atrás da notícia? Dos fatos?  A pandemia cristalizou: precisamos de jornalistas!

Porém, se seu papel é tão importante, por que há pessoas que o encaram com tanta desconfiança? É necessário saber o que é a notícia e como ela é feita, ou seja, o newsmaking. Primeiramente precisamos entender que a notícia é um relato. Não é o fato em si, mas uma notícia relatada por uma pessoa carregada de sua subjetividade, experiências próprias, princípios e elementos culturais.

Seu repertório dá forma ao conteúdo transmitido. Pela teoria do newsmaking, o jornalismo é uma forma de construção da realidade; isso é o oposto do que o senso comum pensa: de que ela é um simples reflexo do real.

Para algo ser noticiado é preciso ter noticiabilidade, ou seja, o conjunto de critérios e operações que fornecem a aptidão de merecer um tratamento jornalístico, isto é, possuir valor como notícia. Além de ter valor-noticia, que confere a noticiabilidade, a notícia passa pelos gatekeepers, ou seja, os editores que selecionam as notícias que serão publicadas que geralmente seguem uma agenda, chamada de agenda setting. A notícia passa por apuração, verificação, edição e diagramação, ou seja, são muitos profissionais envolvidos que, eticamente trabalham para informar seu público.

Falta a muitos de nós entender que independentemente da linha editorial ou mesmo ideológica de um jornal ou jornalista, o jornalismo é uma instituição da democracia e que existe para servi-la. É privilégio da democracia ter seus críticos e dessa forma precisamos defender que ele exista e seja livre.

Se um jornalismo não estiver do lado da cidadania e do bem comum, não há jornalismo. O verdadeiro jornalismo apura e apresenta os fatos com rigor para que todos cidadãos se assumam bem informados a sua própria posição política e o contexto que os mesmos se encontram.

A desinformação e as fakenews são um atentado a cidadania e podem causar até a morte, como é o caso das falsas notícias ligadas à area de saúde.  O jornalismo entrega relatos de fatos e análises de qualidade. É por isso que de fato precisamos não só de mais jornalismo, mas de bons jornalistas e para isso, uma boa formação é fundamental.  

Karine do Prado Ferreira Gomes é publicitária, mestre e doutoranda em Comunicação e professora nos cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo da UniAraguaia