A Justiça rejeitou o pedido do técnico Muricy Ramalho para a penhora da premiação que o Santos receberá referente à Copa do Brasil. O treinador move ação contra o time da Vila desde o começo do ano passado, alegando não ter recebido integralmente a rescisão de contrato. O valor da ação contra o Santos é de R$ 1,3 milhão.

O juiz Dario Gayoso Júnior informa que não é possível atender ao pedido da defesa de Muricy.

O magistrado destaca que há uma liminar que impede que valores de premiações do Santos sejam destinados a Muricy. O treinador havia solicitado o bloqueio da premiação do Santos no Paulista.

"Isto (pedido da defesa do treinador) implicaria, de forma obliqua, a desrespeitar aquela decisão liminar, pois o fundamento é o mesmo (penhora de dinheiro recebido de prêmio), de modo que deve prevalecer a mesma razão de direito".

Nesta segunda, Muricy disse ter sido enganado pela diretoria santista da época.

"Quando eu saí do Santos, quando me mandaram embora, o certo seria fazer a rescisão. Mas na época eu era muito amigo do Luis Alvaro e do Odilio (então presidente e vice). Eles me falaram: 'Não temos dinheiro para pagar à vista. Dá para fazer em algumas vezes?'. Não se parcela rescisão, mas eu aceitei porque acreditava. Mas depois eles pagaram cinco e não pagaram mais. Agora a Justiça que vai decidir", disse Muricy, nesta segunda-feira, em Itu.

O Santos disputa o título nesta quarta-feira contra o Palmeiras, no Allianz Parque. O campeão pode receber pouco mais de R$ 7 milhões (acumulado de premiações ao longo das fases). O vice pode ganhar em torno de R$ 5 milhões.

O treinador dirigiu a equipe santista por 25 meses entre 2011 a 2013. O Santos chegou a oferecer o CT Meninos da Vila como objeto de penhora no processo.

Os advogados de Muricy não ficaram satisfeitos com a penhora, pois sabem que a prática de indicar o centro de treinamento utilizado pela base santista é comum por parte do departamento jurídico do Santos em causas trabalhistas.

Segundo os advogados de Muricy, o Santos firmou um acordo de rescisão com o treinador em 2013, prevendo o pagamento de aproximadamente R$ 3 milhões de forma parcelada.

O clube, porém, não honrou o pagamento das últimas cinco parcelas, totalizando o valor de R$ 1,3 milhão.