Avenida Tocantins com Rua 3: local campeão de infrações por velocidade (Foto: Wesley Costa/O Popular)

Vandré Abreu

vandre.abreu@opopular.com.br

Os três radares eletrônicos de Goiânia que mais verificaram veículos trafegando acima da velocidade máxima permitida estão localizados na Zona 40, a região do Setor Central formada pelo polígono da Praça Cívica e avenidas Tocantins, Araguaia e Paranaíba (conhecido também como “manto de Nossa Senhora”). As regras foram instituída em 2015, mas ainda não assimiladas pelos condutores na capital. Segundo o secretário municipal de mobilidade, Horácio Mello, o número excessivo de infrações mostra que as pessoas não entenderam como funciona a política de priorização dos pedestres no local.

Nos primeiros seis meses deste ano, os motoristas infringiram a regra 66.344 vezes, o que dá uma média de 352 infrações por dia, sendo que em 96 vezes o erro foi cometido de forma grave ou gravíssima. Pelas regras do Código Brasileiro de Trânsito (CBT) a infração tem gravidade média se o limite de velocidade for excedido em até 20%, ou seja, no caso da Zona 40, em até 48 quilômetros por hora (km/h). Se o excedente ficar entre 20% e 50% a infração é grave e acima deste patamar passa a ser gravíssima. O local que mais registrou infrações foi o cruzamento da Avenida Tocantins com a Rua 3, seguido da mesma rua com a Avenida Araguaia.

O trio recordista dos pontos com maior quantidade de infrações verificadas tem também o cruzamento das avenidas Paranaíba com Tocantins. Para Mello, a quantidade de multas registradas ficou acima do esperado, pois, segundo ele, nos primeiros seis meses de 2021 já foi verificado o dobro do registro de todo o ano de 2020. “O dado aponta a necessidade de mais sinalização. Estamos estudando isso, de colocar adesivo no asfalto indicando 40 km/h, mais placas. Mas a Zona 40 reduziu a quantidade de acidentes e a gravidade, o que é importante.”

O secretário lembra ainda que os números mostram que a Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM) está atenta, mas ele ressalta que as infrações são ruins para todos. “Se não tiver multa é porque está tudo perfeito, ninguém ganha nada com as infrações, todo mundo sai perdendo, a gente também.” A intenção da SMM é manter a Zona 40 nos moldes atuais. “Nossa prioridade é a sinalização agora, não pensamos em expandir e nem reduzir. Zona 40 não é uma invenção de Goiânia, é feita a partir de estudos internacionais importantes”, afirma.

 

Modelo deve ser repensado

O professor do Instituto Federal de Goiás (IFG) e engenheiro de trânsito, Marcos Rothen, entende que o modelo de Zona 40 feito para o Centro de Goiânia deveria ser repensado. Para ele, o limite de 40 quilômetros por hora (km/h) teria de ser imposto apenas nas ruas menos largas do local, mas não nas avenidas, onde se teria um limite de até 50 km/h. “Já são anos que falamos da Zona 40 e ainda não assimilaram. Nas avenidas em todo lugar do mundo é no mínimo 50 km/h, porque o ambiente favorece.”

Segundo Rothen, a Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM) teria duas opções. Ou faria uma sinalização mais agressiva ou adotaria outros modelos de redutores nas vias, de modo que os motoristas saibam que devem reduzir a velocidade. Neste caso, ele cita o alargamento das calçadas e a implantação de canteiros centrais, especialmente em locais como a Avenida Paranaíba, próximo ao Estádio Olímpico. “Colocar um canteiro central largo ou calçadas também protege os pedestres. Nas partes internas o limite de 40 km/h justifica, nas avenidas não, porque o desenho convida ao aumento da velocidade, então teria de mudar o desenho.” Ele ressalta, no entanto, que isto se dá especialmente pelas infrações médias, que correspondem a cerca de 70% do total. “As graves e gravíssimas não têm como, é culpa do motorista infrator mesmo”, considera. 

Outro exemplo da imprudência dos motoristas em 2021 é a quantidade de infrações e acidentes nas rodovias federais em Goiás. No primeiro semestre deste ano, o número de mortos nas estradas cresceu 11,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, foram 1.056 acidentes contabilizados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), além de 70.403 infrações, número 3,11% maior do que no primeiro semestre de 2020. O principal problema foi a quantidade de ultrapassagens proibidas, que aumentou 65,51% no período analisado pelos policiais.

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