Que rua temos e que rua queremos? Essa é uma das principais discussões que a exposição "A Rua É Nossa... É de Todos Nós" trará a partir da próxima terça-feira (2) no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, com debates, palestras, mesas-redondas e passeios pelas ruas do centro de São Paulo. Por meio de painéis fotográficos, vídeos e projeções, a exposição, que começou em 2007, em Paris, já percorreu várias cidades em todo o mundo, e discute, agora, o uso das ruas em São Paulo.

“Acho que essa exposição traz muitas questões como a da segurança, de apropriação das ruas e de como compartilhar o espaço. A grande importância dessa exposição está nisso: olhar para um espaço que é coletivo e que, muitas vezes, passa despercebido por essa coletividade”, disse Ana Heloisa Santiago, coordenadora de exposições do Museu da Casa Brasileira. A mostra está aberta para visitação desde o dia 19 de julho e, na terça, haverá visita especial orientada com a curadora Mireille Apell-Muller.

A exposição é dividida em quatro módulos, reunindo diferentes temas relacionados às ruas. O primeiro deles, denominado "50 Projetos para Imaginar a Rua do Futuro", é composto de propostas de arquitetura e urbanismo que reinventam as ruas. A intenção é propor uma melhor utilização do espaço público, favorecendo o contato entre as pessoas, a aproximação e o relacionamento.

O segundo módulo é "A Rua dos Cidadãos", que explora a rua como um lugar para se praticar a cidadania, abordando temas como segurança, civilidade, governabilidade e a forma de organização moderna. Há também um espaço denominado "As Ruas como Mídias, Lugares e Meios de Comunicação e de Troca", que pretende abordar a perturbação provocada por aparelhos celulares, games e propagandas e o uso que fazemos das ruas.

O quarto módulo, "Mais Outras Treze Questões de Sociedade", aborda as condições das ruas: a limpeza, as áreas destinadas para crianças, o acesso para deficientes físicos, os transportes públicos e as profissões realacionadas. “O mais importante de tudo neste momento é refletir. Refletir sobre a forma como essas ruas estão sendo usadas e como você vive em uma cidade onde o uso é esse. Você nasce e cresce nessa cidade e quase nunca para refletir se esse uso é realmente correto, se deveria ser assim e se ele corresponde ao seu desejo de rua”, disse Miriam Lerner, diretora-geral do museu.

De acordo com Miriam, a exposição será um momento para se discutir a cidade de São Paulo e suas ruas ocupadas, principalmente, por carros. “São Paulo tem um momento especificamente complicado com essa grande profusão de automóveis e esse investimento que se fez na indústria automobilística, que gerou uma ocupação urbana bastante caótica. É, de fato, um momento de refletir”, ressaltou.

Além da exposição, o museu preparou uma série de atividades paralelas para ampliar a discussão sobre o tema. As atividades pretendem aprofundar o diálogo com o público e também apropriar-se das ruas com atividades que permitam a descoberta de novos ângulos da cidade. Com isso, o museu amplia a discussão sobre as ruas levando-as para as próprias ruas.

“Tem uma dualidade que é interessante, que é trazer a questão da rua para dentro do museu e discutir a questão por meio de textos e fotos. E tem também a questão de trazer a exposição para fora do museu, por meio das atividades paralelas que fazem parte da exposição. É uma exposição que quer olhar para fora, não só para dentro da exposição”, explicou Ana Heloisa.

A primeira dessas atividades paralelas é a visita orientada com a curadora da mostra, Mireille Apel-Muller e o diretor de projetos para a América Latina do Instituto pela Cidade em Movimento, Andrés Borthagaray. Depois, no dia 3, está programada a palestra Por uma Mobilidade Sustentável em Termos Urbanos e Energéticos, na Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz.

No dia 9, uma mesa-redonda vai debater a possibilidade de se estabelecer uma nova política de mobilidade urbana espacial e social. Já no dia 13 de agosto, haverá um passeio a pé pelo centro de São Paulo, a partir das 10h, com saída da Estação da Luz. As atividades ainda contarão com passeios de bicicleta e outros debates. E, nos dias 27 e 28, será exposta a bicicloteca, bicicleta móvel construída para facilitar o acesso à leitura da população de rua. Os passeios exigem inscrição antecipada.

“Acho bacana que as pessoas usem essa oportunidade para, de fato, tentar refletir um pouco. Acho que a loucura urbana na cidade de São Paulo é tão grande que as pessoas não têm se dado esse momento de reflexão. Essa exposição e, principalmente, as atividades paralelas são uma semente pequena para tentar irradiar a necessidade de reflexão”, disse a diretora do museu.