Redação O POPULAR

A representação feminina na política é questão urgente, porque viceja desequilíbrio flagrante. 52% do eleitorado conquista somente 11% dos cargos eletivos, segundo estudo da ONU Mulheres de 2017. Para dar mais eficácia ao modelo de proteção jurídica à participação política da mulher, que já detém cota de 30% das candidaturas nas coligações, a Justiça Eleitoral determinou, na eleição passada, que no mínimo 30% dos recursos do Fundo Partidário e do tempo de propaganda gratuita deveriam ser destinados às mulheres.

Em que pese esses esforços, segundo reportagem nessa edição, a boa intenção gerou subterfúgios. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela cassação de toda a chapa eleita cuja fraude para atingir a cota feminina tenha sido detectada. Pelo menos três cidades goianas estão na mira. A situação cria um paradoxo: a cota que visa à promoção de mulheres na política pode fundamentar a cassação das eleitas, anulando o efeito. Enquanto nos movimentos sociais a lógica é a inclusão (quanto mais forças agregadas, mais forte e legítimo é o movimento), nos partidos e nos centros de poder instituídos a lógica é da exclusão para minimizar as disputas.

É fundamental, pois, que partidos criem ambientes mais arejados para que a diversidade se estabeleça.

Escolha seu assunto favorito.
E-mail registrado com sucesso!
A partir de agora você receberá seus assuntos preferidos por e-mail.

Navegue pelo assunto:

Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.

Comentários